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Cardiologia de Emergência

Choque Cardiogênico

Avaliação e Manejo Baseado em Evidências

ACC Expert Consensus 2025 NEJM Review 2026

Apresentado por Laura Ricarte
Residente de Clinica Medica UFRR (R2)
R1 de Cardiologia IDPC

Tipos de Choque: Perfil Hemodinâmico

Tipo de Choque PVC POAP DC/IC RVS SvO₂ Fisiopatologia
Hipovolêmico Baixa pré-carga → baixo débito
Cardiogênico ↑↑ ↓↓ Falência de bomba → congestão
Distributivo (séptico) ↓/N ↓/N ↓↓ Vasoplegia + shunt
Distributivo tardio ↓/N ↓/N Depressão miocárdica séptica
Obstrutivo – TEP ↑↑ ↓/N Falência VD → baixo enchimento VE
Obstrutivo – Tamponamento ↑↑ Restrição diastólica global
Neurogênico ↓↓ N/↑ Perda de tônus simpático
Aumentado Diminuído

Objetivos de Aprendizagem

1

Reconhecer Precocemente

Identificar sinais e sintomas do choque cardiogênico utilizando o mnemônico SUSPECT CS

2

Classificar a Gravidade

Aplicar a classificação SCAI (A-E) para estratificação de risco

3

Manejo Farmacológico

Compreender inotrópicos, vasopressores e suas indicações

4

Suporte Mecânico

Conhecer dispositivos de assistência circulatória temporária

O que e Choque Cardiogênico?

Distúrbio cardíaco que resulta em evidência clínica e bioquímica de hipoperfusão tecidual sustentada, independente da pressão arterial subjacente.

— SHARC (Shock Academic Research Consortium), 2023

30-50%

Mortalidade em 30 dias

~50%

Mortalidade em 1 ano

#1

Causa de morte no IAM hospitalizado

Critérios Diagnósticos

1 Hipotensão Sustentada

  • PAS <90 mmHg por >30 min
  • PAM <65 mmHg
  • Queda >30 mmHg do basal
  • Necessidade de DVA para manter PAS >90

2 Hipoperfusão Orgânica

  • Lactato >2 mmol/L
  • Oliguria (<0.5 mL/kg/h)
  • Alteração do nível de consciência
  • Extremidades frias e pegajosas

Atenção: Existe o Choque Cardiogênico Normotensivo — hipoperfusão organica com PAS >90 mmHg

Mnemônico SUSPECT CS

Ferramenta para diagnóstico precoce do choque cardiogênico

S
Symptoms / Signs — Confusão, dor torácica, extremidades frias, taquicardia
U
Urine output — Oliguria ou anuria (<30 mL/h)
S
Sustained hypotension — PAS <90 mmHg por >30 min
P
Perfusion — Lactato >2, acidose metabólica, elevação de transaminases
E
ECG / Echocardiogram — Isquemia aguda, disfunção ventricular
C
Congestion — Presença ou ausência; perfil VE vs VD vs biventricular
T
Triage — Ativação do shock team / transferência para centro especializado

Etiologias do Choque Cardiogênico

AMI-CS (~50%)

Choque relacionado ao IAM

  • • STEMI (~66%)
  • • Non-STEMI (~30%)
  • • Complicações mecânicas (~3%)

HF-CS (>50%)

Choque relacionado a IC

  • • IC aguda "de novo" (~25%)
  • • IC crônica agudizada (~75%)
  • • Miocardite, Takotsubo, periparto

CS Secundario

Causa nãomiocárdica

  • • Arritmias
  • • Doença valvar aguda
  • • Doença pericardica

Pos-cardiotomia

Após cirurgia cardíaca

  • • Disfunção miocárdica pós-CEC
  • • Stunning miocardico

Tendência atual: HF-CS está ultrapassando AMI-CS como causa mais frequente

Classificação SCAI do Choque

A

At Risk

Risco de desenvolver choque

  • • PAS normal
  • • Lactato ≤2
  • • Perfusão normal
  • • IC >2.5

Ex: IAM extenso, IC avançada

B

Beginning

Pré-choque / Início

  • • PAS <90 ou queda >30
  • • FC ≥100 bpm
  • • Lactato ≤2
  • • Função renal normal

Maior risco de deterioração!

C

Classic

Choque clássico

  • • Hipotensão + DVA
  • • Lactato >2
  • • IC <2.2
  • • POAP >15
  • • Hipoperfusão

Requer intervenção

D

Deteriorating

Deteriorando

  • • Lactato ≥4 e subindo
  • • Piora função renal
  • • Piora função hepática
  • • Escalando DVA

Falha na estratégia inicial

E

Extremis

Colapso circulatório

  • • Lactato ≥8
  • • pH <7.2
  • • PCR ou iminente
  • • Múltiplas DVAs
  • • Colapso hemodinâmico

Suporte máximo

Figura 1

Fisiopatologia: Espiral Descendente

Função Cardiaca diminuída

Débito Cardíaco reduzido

Pressão Arterial reduzida

Hipoperfusão coronáriana

Perfusão Tecidual reduzida

Hipoxia celular - Lactato elevado

Vasoconstrição

Compensatoria inicial

Falência Multiorgânica

Rim - Fígado - Pulmão - Intestino - Coagulação

Fase Compensada

Vasoconstrição sistêmica mantem PA inicialmente

Fase Descompensada

Vasodilatação patológica por resposta inflamatória

Disfunção Multiorgânica no Choque

Baseado em NEJM 2026 - Thiele & Hassager

🧠

Cerebral

Hipoperfusão → Confusão

20-30% morrem por lesão anóxica pós-PCR

🫁

Pulmonar

Congestão, possível SDRA

↓ SpO₂

H

Hepática

Hepatite hipóxica

↑ AST, ALT, Bilirrubina

❤️

CORAÇÃO

↓ DC → Hipoperfusão sistêmica

↑ Troponina, ↑ BNP

Mortalidade 40-50% em 30 dias

🫘

Renal

IRA - Oligúria/Anúria

↑ Creatinina, ↑ Cistatina C

TRS: 11-18% nos trials

🦠

Intestinal

Translocação bacteriana

↑ Lactato, infecções

🩸

Microvascular

Vasoconstrição, microtrombos

Pele fria, TEC prolongado

Fenótipos e Prognóstico

Mortalidade Hospitalar por Etiologia

Choque misto
48%
CS relacionado ao IAM
41%
IC aguda de novo
31%
Causas secundárias
31%
IC crônica agudizada
25%

Berg et al. Eur Heart J Acute Cardiovasc Care 2024

Fenótipos Ventriculares

Falência VE dominante

Forma mais comum

💙

Envolvimento VD

44% no CS-IAM; ainda mais comum em CS não-IAM

💜

Biventricular

Pior prognóstico - requer estratégia específica

❤️

Importante: Fenótipo guia escolha de suporte mecânico e manejo de fluidos

PCR: ~50% dos CS-IAM têm PCR associada → alto risco de lesão cerebral anóxica

CS não-IAM: Agora supera CS-IAM em frequência → importância crescente

Roadmap das Primeiras 24 Horas

0-30 min

Avaliação Inicial

  • • SUSPECT CS
  • • ECG 12 derivações
  • • Echo/POCUS
  • • Labs: lactato, troponina
  • • Classificação SCAI

30-90 min

Manejo Inicial

  • • Shock team ativado
  • • Iniciar DVA
  • • Cate cardíaco +/- ICP
  • • +/- Cateter de Swan-Ganz
  • • +/- tMCS

6-12 horas

Estabilização

  • • Reavaliação seriada
  • • Monitorar trajetoria
  • • Otimizar terapia
  • • Alvos hemodinâmicos
  • • Descongestão

12-24 horas

Definição de Estratégia

  • • Escalonar/reconfigurar tMCS
  • • Avaliar "exit strategy"
  • • Recuperação vs LVAD vs Tx
  • • Considerar cuidados paliativos

Monitorização Hemodinâmica

Cateter de Arteria Pulmonar

Indicações no Choque Cardiogênico:

  • Sem resposta a terapia inicial
  • Incerteza diagnóstica/terapêutica
  • Choque misto (cardiogênico + distributivo)
  • Guiar manejo de tMCS

Associado a menor mortalidade em estudos observacionais

Parametros-Chave

Índice Cardíaco <2.2 L/min/m2
POAP (VE) >15 mmHg
PVC (VD) >15 mmHg
Razão PVC/POAP >0.6 (prognóstico ruim)
PAPi <0.9 (disfunção VD)
CPO <0.6 W (prognóstico ruim)

CPO = (IC × PAM) / 451

CPO (Cardiac Power Output) é o preditor hemodinâmico mais forte de mortalidade no CS

Manejo Farmacológico

Inotrópicos

Aumentam Contratilidade miocárdica

  • • Dobutamina
  • • Milrinona
  • • Levosimendan*

Vasopressores

Aumentam Resistência vascular

  • • Norepinefrina (1a linha)
  • • Vasopressina
  • • Fenilefrina (evitar)

Inopressores

Aumentam Contratilidade + RVS

  • • Epinefrina
  • • Dopamina (evitar)

Princípio fundamental: Usar na menor dose possível pelo menor tempo possível

Inotrópicos: Mecanismos de Ação

Inotrópicos aumentam a contratilidade miocárdica independente de pré-carga e pós-carga

Ca²⁺

Calcitropes

Efeito inotrópico verdadeiro

↑ Cálcio intracelular → maior força de contração

Dobutamina Milrinona Adrenalina

Cronotrópicos

Aumentam frequência cardíaca

DC = FC × VS (sem melhorar contratilidade)

Pode aumentar consumo de O₂ miocárdico

Inopressores

Noradrenalina Adrenalina

• ↑ Contratilidade + ↑ RVS

Indicação: Choque com hipotensão grave

Inodilatadores

Dobutamina Milrinona

• ↑ Contratilidade + ↓ pós-carga

Indicação: Baixo débito com PA preservada

Algoritmo: Terapia Vasoativa

Estratificação pelo fenótipo hemodinâmico guia a escolha terapêutica inicial

Hipotensão

PAS <90 ou PAM <65 mmHg

1ª Linha: NORADRENALINA

• Dose: 0,1 - 2 μg/kg/min

• Ação α1 predominante → ↑RVS

Refratário: + Vasopressina ou Epinefrina

Baixo Débito

PA ok + sinais de hipoperfusão

1ª Linha: INODILATADOR

• Dobutamina: 2-20 μg/kg/min

• Milrinona: 0,25-0,75 μg/kg/min

Milrinona se: β-bloqueador ou HP

SOAP II

Nora > Dopamina

(menos arritmias)

CAPS

Nora > Epinefrina

(menos refratário)

DOREMI

Milri = Dobuta

(CS pós-IAM)

Escolha do Agente: Guia Prático

Hipotensão grave

Noradrenalina

Alt: + Vasopressina

PA ok + Congestão

Dobutamina

Alt: Milrinona

β

Uso de β-bloq

Milrinona

Não depende de β

VD

Falência VD

Milrinona

↓RVP • Alt: +Nora

Bradicardia

Epinefrina

Cronotrópico +

Misto/Vasodilat

Nora + Dobuta

↑PA + ↑DC

Usar com Cautela

  • Dopamina: mais arritmias vs Nora
  • Epinefrina: ↑lactato, ↑arritmias
  • Milrinona: meia-vida longa (cuidado IRA)

Metas Terapêuticas

  • PAM ≥65 mmHg (individualizar)
  • IC >2.2 L/min/m²
  • Lactato em queda
  • DU >0.5 mL/kg/h

Vasoativos: Doses e Preparo

NE

Noradrenalina

Vasopressor de 1ª linha

Dose: 0,1-2 μg/kg/min

Preparo: 4mg/250mL SF (16 μg/mL)

Efeitos adversos: Isquemia periférica, arritmias

DB

Dobutamina

Inodilatador β1-agonista

Dose: 2-20 μg/kg/min

Preparo: 250mg/250mL SF (1mg/mL)

Efeitos adversos: Hipotensão, taquicardia, arritmias

MI

Milrinona

Inibidor PDE-3

Dose: 0,25-0,75 μg/kg/min

Preparo: 20mg/200mL SF (100 μg/mL)

Efeitos adversos: Hipotensão, arritmias; ajustar se IRA

VP

Vasopressina

Agonista receptor V1

Dose: 0,01-0,04 U/min (fixa)

Preparo: 20U/100mL SF (0,2 U/mL)

Efeitos adversos: Isquemia mesentérica/digital

Dica: Evitar bolus de Milrinona no choque (risco de hipotensão grave). Preferir infusão contínua direta.

Agentes Vasoativos: Mecanismos

Agente Receptores RVS PA DC FC
Norepinefrina a1+++, b1++ ++ ++ + +
Epinefrina b1+++, a1++, b2++ ++ ++ ++ ++
Dobutamina b1+++, b2++ -/0 -/0 ++ +
Milrinona Inibidor PDE-3 -- -- ++ 0/+
Vasopressina V1 receptor ++ ++ 0/- 0/-

1a Linha: Norepinefrina

Pacientes hipotensos - melhor perfil de seguranca que dopamina

Alvo: PAM >65 mmHg

Estudo NorShock em andamento: PAM 55 vs 65 mmHg

Suporte Circulatório Mecânico (tMCS)

Objetivos

  • 1. Descarregar o ventriculo (unloading)
  • 2. Restaurar perfusão sistêmica
  • 3. Permitir desmame de DVAs

Estratégias de Ponte

  • Bridge to Decision
  • Bridge to Recovery
  • Bridge to LVAD
  • Bridge to Transplant

Ponto-chave: Uso rotineiro de tMCS em TODOS os pacientes com CS não é recomendado. Seleção adequada do paciente é fundamental.

Dispositivos de tMCS

BIA

BIA

Balão Intra-aórtico

  • • Fluxo: 0.5-1 L/min
  • • Aumenta Perfusão coronária
  • • Diminui pós-carga
  • • Fácil inserção

IABP-SHOCK II: sem benefício mortalidade

IMP

Impella

Bomba microaxial

  • • CP: 3-4.3 L/min
  • • 5.5: 5-6 L/min
  • • Descarrega VE diretamente
  • • Aumenta Perfusão coronária

DanGer Shock: diminui mortalidade em STEMI selecionado

ECM

VA-ECMO

Oxigenação por membrana

  • • Fluxo: 5-7 L/min
  • • Suporte VE + VD + respiratório
  • • Aumenta pós-carga (problema)
  • • Pode necessitar unloading

ECLS-SHOCK: sem benefício mortalidade

VD

pRVAD

Suporte VD percutaneo

  • • Impella RP: 3-4 L/min
  • • Protek Duo: 4-5 L/min
  • • Para falência VD
  • • Pode combinar com suporte VE

Estudos randomizados limitados

DanGer Shock Trial (2024)

O primeiro RCT a demonstrar benefício de mortalidade com tMCS

Desenho do Estudo

  • População: STEMI com CS, sem risco de lesão cerebral hipóxica
  • n: 360 pacientes
  • Intervenção: Impella CP precoce vs cuidado padrão
  • Endpoint: Mortalidade em 180 dias

Resultados

-12.7%

Redução absoluta de mortalidade

HR 0.74

IC 95%: 0.55-0.99, p=0.04

Complicações aumentadas

Maior sangramento, isquemia de membro, necessidade de TRS

Seleção rigorosa

Apenas ~5-10% dos pacientes com CS preenchem criterios

Seleção de Pacientes para tMCS

Considerar tMCS

  • STEMI com CS VE-dominante (Impella - evidência DanGer)
  • Deterioração apesar de DVAs
  • Candidato a LVAD/transplante
  • Sem lesão cerebral hipóxica significativa
  • Centro com expertise em dispositivos

Não usar rotineiramente

  • Todos os pacientes com CS (sem benefício demonstrado)
  • Lesão cerebral anóxica estabelecida
  • Doença terminal / não candidato a terapias avançadas
  • Choque muito avançado com FMO irreversível
  • Doença vascular periférica grave (relativo)

50-60% dos pacientes com AMI-CS sobrevivem sem tMCS - Seleção inadequada pode causar complicações desnecessárias

Revascularização no AMI-CS

Revascularização precoce = Menor Mortalidade

Unica intervenção com evidência robusta de benefício de mortalidade no AMI-CS

SHOCK Trial: benefício sustentado ate 6 anos

Estratégia Recomendada

1 ICP da lesão culpada apenas
2 Revascularização estagiada após estabilização

CULPRIT-SHOCK Trial

  • ICP culpado-only vs ICP multiarterial imediata
  • Culpado-only: 45.9% morte/TRS
  • Multiarterial: 55.4% morte/TRS
  • RR 0.83 (p=0.01)

Niveis de Centros de Choque

Nível 1

Centro Completo de CS

Nível 2

STEMI/ICP + opções de tMCS

Nível 3

Diagnóstico inicial (sem ICP/tMCS)

Nível 1

  • • Hemodinâmica 24/7
  • • tMCS avançado (todos)
  • • Cirurgia cardíaca
  • • LVAD e transplante
  • • UTI cardíaca especializada

Nível 2

  • • ICP 24/7
  • • BIA e/ou Impella
  • • UTI com monitorização
  • • Cardiologia intervencionista

Nível 3

  • • Diagnóstico inicial
  • • Estabilização
  • • Transferência para nível superior

Transferência e Desfechos

  • • Maior mortalidade em pacientes transferidos (principalmente HF-CS)
  • • Em redes regionalizadas: desfechos comparáveis entre níveis

Preditores de Pior Prognóstico

HF-CS

  • • Idade avançada
  • • VM / TRS
  • • Múltiplas DVAs

AMI-CS

  • • IMC >28
  • • Lactato >3
  • • Piora função renal

CAP (HF-CS) e tMCS (AMI-CS) associados a melhores desfechos

Shock Team: Abordagem Multidisciplinar

SHOCK
TEAM
Intensivista Cardíaco
Intervencionista
Cirurgia Cardiaca
IC Avancada/Tx

Benefícios Demonstrados

  • • Maior uso de cateter de AP
  • • Maior uso de tMCS avançado
  • Menor mortalidade ajustada por risco
  • • Melhor comunicação e coordenação

Componentes Essenciais

  • • Sistema de ativação rápida 24/7
  • • Comunicação virtual e a beira-leito
  • • Protocolos padronizados
  • • Revisão de casos e melhoria contínua

Características do Choque

  • • Classificação SHARC
  • • Classificação SCAI
  • • Perfil congestivo
  • • Clearance de lactato
  • • Disfunção multiorgânica
  • • Fenotipagem

Seleção do Paciente

  • • Instabilidade elétrica ou hemodinâmica
  • • Gravidade da disfunção ventricular
  • • Anatomia coronária complexa
  • • Ponte para recuperação
  • • Terapias avançadas
  • • Objetivos de cuidado

Considerações Terapêuticas

  • Farmacoterapia •
  • Suporte circulatório mecânico •
  • Expertise do operador •
  • Melhores práticas de acesso vascular •
  • Prognóstico neurológico se PCR •
  • Contraindicações •
  • • Equipes multidisciplinares de choque
  • • Redes regionalizadas de choque
  • • Equipe dedicada 24/7 na UTI cardíaca
  • • Capacidade de LVAD e transplante
  • • Consultoria subespecializada

Sistemas de Cuidado

Paciente Certo
Momento Certo
Tratamento Certo
Local Certo

Desmame de tMCS

Pré-requisitos

  • • Causa subjacente tratada/melhorada
  • • Estabilidade hemodinâmica
  • • DVAs em doses baixas/estaveis
  • • Função de órgãos melhorando

Processo

  • • Redução gradual de fluxo
  • • 0.5-1 L/min a cada 2-4 horas
  • • Monitorar clínica + lactato
  • • Ecocardiograma seriado

Exit Strategy

  • • Recuperação miocárdica
  • • LVAD durável
  • • Transplante cardíaco
  • • Cuidados paliativos

Framework ROSE

R

Recognize / Rescue

O

Optimize

S

Stabilize

E

De-escalation / Exit

Complicações e Falência Multiorgânica

NEURO

Neurológico

  • • Delirium
  • • AVC (embolico/hemorragico)
  • • Lesão cerebral anóxica
PULM

Pulmonar

  • • Congestão/edema
  • • Lesão por VM
  • • Pneumonia
HEMAT

Hematológico

  • • Sangramento (ate 60%)
  • • Coagulopatia
  • • Hemolise (tMCS)
RENAL

Renal

  • • IRA (hipoperfusão)
  • • Necrose tubular
  • • TRS em 10-18%
HEPAT

Hepático

  • • Hepatite hipóxica
  • • Insuficiência hepática
  • • Necrose hepatocelular
VASC

Vascular

  • • Isquemia de membro (4x maior com tMCS)
  • • Dissecção
  • • Pseudoaneurisma

Cuidados Paliativos no CS

Consulta precoce de cuidados paliativos deve ser considerada simultaneamente ao início de tMCS

Quando Considerar

  • • Choque refratário a múltiplas intervenções
  • • Não candidato a LVAD/transplante
  • • Lesão cerebral anóxica significativa
  • • Comorbidades limitantes de prognóstico
  • • Desejo do paciente/família

Papel da Equipe

  • • Comunicação clara com família
  • • Discussão de objetivos de cuidado
  • • Tomada de decisão compartilhada
  • • Conforto e dignidade no fim de vida
  • • Suporte a família enlutada

Pontos-Chave

1

Mortalidade permanece 40-50% apesar dos avancos

2

Revascularização precoce da lesão culpada reduz mortalidade no AMI-CS

3

Impella mostrou benefício em pacientes selecionados com STEMI-CS (DanGer Shock)

4

BIA e VA-ECMO nãodemonstraram benefício de mortalidade rotineiramente

5

Seleção do paciente é fundamental - nem todo CS precisa de tMCS

6

Abordagem multidisciplinar com shock team melhora desfechos

Estudos em Andamento

PACCS

Cateter de AP vs sem cateter no HF-CS

ANCHOR

VA-ECMO + BIA vs tratamento padrão

UNLOAD-ECMO

VA-ECMO + Impella vs VA-ECMO isolada

NorShock

PAM alvo 55 vs 65 mmHg

LevoHeartShock

Levosimendan vs placebo

CAPITAL DOREMI-2

Dobutamina ou milrinona vs placebo

Muitas questões permanecem abertas - necessidade de mais pesquisa randomizada

Obrigada!

Duvidas?

Referências Principais

1. Sinha SS et al. 2025 Concise Clinical Guidance: ACC Expert Consensus Statement on Cardiogenic Shock. JACC 2025;85:1618-1641

2. Thiele H, Hassager C. Cardiogenic Shock. N Engl J Med 2026;394:62-77

3. Moller JE et al. Microaxial Flow Pump in Infarct-Related Cardiogenic Shock (DanGer Shock). N Engl J Med 2024;390:1382-1393

4. Naidu SS et al. SCAI SHOCK Stage Classification Expert Consensus Update. JACC 2022;79:933-946

Tipos de Choque: Perfil Hemodinâmico

Tipo PVC POAP DC/IC RVS SvO₂
Hipovolêmico
Cardiogênico ↑↑ ↓↓
Distributivo ↓/N ↓/N ↓↓
Obstrutivo – TEP ↑↑ ↓/N
Obstrutivo – Tamponamento ↑↑
Neurogênico ↓↓ N/↑
Aumentado Diminuído N = Normal

Perfil Hemodinâmico por Câmara

Tipo PVC POAP PAPi Fisiologia
Falência VE N / leve ↑↑ normal Congestão pulmonar + baixo débito
Falência VD ↑↑ N / ↓↓ VD não ejeta → congestão sistêmica
Biventricular ↑↑ ↑↑ Falência global

PAPi = Índice de Pulsatilidade da Artéria Pulmonar

Valores Hemodinâmicos Normais

Parâmetro Valor Normal
PVC 2–6 mmHg
POAP 6–12 mmHg
IC 2,5–4 L/min/m²
RVS 800–1200 dyn·s·cm⁻⁵
SvO₂ 65–75%
PAPi - Pulmonary Artery Pulsatility Index

Comparação dos Dispositivos de Suporte Circulatório

Comparação dos Dispositivos de Suporte Circulatório Mecânico